biocombustível

A bioeletricidade é uma energia limpa e renovável feita a partir da biomassa de subprodutos da cana-de-açúcar (bagaço e palha) para produção do etanol. Essas duas fontes de energia, que somadas, transformaram a cana-de-açúcar na melhor cultura para a produção de combustíveis e eletricidade de baixo carbono, são o resultado da reinvenção da indústria canavieira com novas tecnologias. No Brasil, 80% da bioeletricidade vem dos canaviais, os outros 20% de restos de madeira, carvão vegetal, casca de arroz e capim elefante.

Durante o processo de fabricação do etanol, cada tonelada de cana-de-açúcar gera, em média, 250kg de bagaço e 200kg de palhas e pontas, que garantem a energia elétrica suficiente para abastecer as usinas durante o período da safra. Nos anos 80, a geração de bioeletricidade foi tão grande que permitiu que o excedente fosse repassado para o sistema elétrico brasileiro.
Hoje, menos de 30% das usinas de cana estão conectadas à rede elétrica como geradoras de energia. Para ter uma ideia do nosso potencial, em 2020, a bioeletricidade produzida será equivalente à energia gerada por três usinas de Belo Monte. A boa notícia é que essa produção é sem desperdício e sem emissões de gases de efeito estufa.
Embora a população não possa optar por usar exclusivamente a bioeletricidade, ela pode ser comprada pelas grandes distribuidoras em leilões feitos pelo Governo Federal. As distribuidoras fornecem esse tipo de energia para milhões de pessoas em todo país desde 2005. Em 2010, mais de 2% da energia elétrica consumida no Brasil foi bioeletricidade.

Potencial de mercado da bioeletricidade para a rede elétrica - Brasil (2010-2021)

A produção da bioeletricidade comprova que, na indústria da cana-de-açúcar,
tudo se transforma. E nada se desperdiça. Uma tonelada de bagaço
pode gerar mais de 300kWh para a rede elétrica. Uma tonelada de palha
pode gerar 500 kWh. O consumo médio de uma residência brasileira foi de
154 kWh em 2010. Portanto, com apenas um hectare de cana, a bioeletricidade
pode abastecer 8 residências durante 1 ano inteiro.

Depois de colhida, a cana é transportada para a usina, para ser moída durante o
processo de extração do caldo da cana, que será transformado em açúcar e etanol.

É gerado também o bagaço, que será o combustível para a geração da bioeletricidade.
Também temos a palha que pode ser aproveitada como combustível.

A palha apresenta um poder calorífico quase duas vezes superior ao do bagaço.
O bagaço e a palha são enviados para alimentar as caldeiras nas usinas.

A caldeira gera o vapor que é utilizado para produzir três diferentes formas de energia.
A energia térmica é empregada para aquecimento no processo produtivo do açúcar e do
etanol, além de ser transformada em energia mecânica.

A energia mecânica movimenta as máquinas e equipamentos de extração
e preparação do caldo, além das turbinas de geração de energia.
Transformando-se assim em energia elétrica.

A energia elétrica, ou a bioeletricidade da cana, é usada para o consumo próprio
da usina e o excedente é vendido para o sistema elétrico nacional.

Uma energia elétrica que preserva o meio ambiente e ajuda a manter a camada de ozônio

No ciclo completo, a emissão de CO2 pelo etanol é 89% menor que a da gasolina A bioeletricidade é uma nova solução, muito mais sustentável do que os combustíveis de origem fóssil. Mesmo quando é comparada com outras culturas do campo, a cana leva vantagem. Após a colheita, a palha fica no solo, e oferece uma proteção natural contra a erosão e ervas daninhas, reduzindo a necessidade do uso de agrotóxico. Outro subproduto do canavial, a vinhaça, é utilizado como fertilizante natural, e pode gerar energia elétrica por meio do biogás. Ou seja, tudo é aproveitado na cana, nada é desperdiçado.

De acordo com a União Europeia (2007), cada megawatt/hora gerado por meio do gás natural representa 400 kg de CO2 emitidos para a atmosfera. No caso da bioeletricidade, as emissões não são consideradas, pois a energia é gerada a partir de uma fonte renovável, a cana-de-açúcar.

Além disso, o setor assumiu o compromisso de eliminar a queima da cana no campo e se tornou a única cultura agrícola do país que vai crescer com "desmatamento zero" em florestas ou qualquer tipo de vegetação nativa. A cana só será plantada em áreas já ocupadas pela agricultura e pela pecuária.

Por causa dessas medidas, a bioeletricidade é abertamente defendida por duas das mais respeitadas organizações ambientais, como o World Wildlife Fund – WWF e o Greenpeace.

Veja o esquema abaixo para entender melhor como a cana preserva o nosso planeta em todas as fases do seu ciclo.

CULTIVO E COLHEITA:
Tratores, colheitadeiras e insumos agrícolas emitem gás carbônico (CO2). A colheita manual precisa da queima da palha da cana,
que também gera emissões. Emissão total: 2.961 kg CO2

CRESCIMENTO:
A cana é uma "esponja" natural, que absorve grandes volumes de CO2 enquanto cresce. Absorção: 7.650 kg CO2

PROCESSAMENTO:
A fermentação e a queima do bagaço para a geração de energia emitem CO2. Emissão: 3.604 kg de CO2

BIOELETRICIDADE:
O uso do bagaço para geração de eletricidade e energia excedente evita as emissões na atmosfera.
Emissão evitada: 225 kg de CO2

TRANSPORTE:
O etanol é transportado para os postos de combustível em caminhões movidos a óleo diesel. Emissão: 50 kg de CO2

MOTOR DOS AUTOMÓVEIS:
A queima do etanol gera 1.520 kg de CO2

Energia elétrica limpa, renovável com tecnologia totalmente desenvolvida no Brasil.

Implantação mais rápida, entre 24 e 30 meses.

Projetos de menor porte, que atrai mais investidores e diminui os riscos de atrasos e problemas nas construções.

Fonte de energia complementar à geração de energia hidrelétrica, concentrada nos meses chuvosos (janeiro e abril). A cana produz biomassa exatamente nos meses de maior seca no Centro-Sul (abril a novembro). Deste modo, a bioeletricidade funciona como um "seguro" contra níveis baixos
de água nos reservatórios.

Está disponível no centro de consumo do sistema elétrico, o que evita custos e riscos de transmissão da energia distante dos centros de consumo.

Tecnologia totalmente brasileira, que fortalece a indústria nacional de equipamentos e gera empregos nessa área nos polos tecnológicos
no interior do Brasil.

COMPLEMENTARIDADE DA BIOELETRICIDADE SUCROENERGÉTICA